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BC reduz juro a 8,5% em decisão unânime e sinaliza mais cortes
Além de reduzir a taxa básica de juros (Selic) para o menor nível da história – 8,5% ao ano -, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) praticamente assegurou que promoverá novos cortes nas próximas reuniões. Se o cenário externo não se deteriorar, a próxima redução deverá ser também de 0,5 ponto percentual. A taxa básica de juros (Selic) rompeu o seu piso histórico e caiu para 8,5% ao ano, em decisão unânime tomada ontem pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom). Até então, o nível mais baixo era de 8,75% ao ano, que vigorou entre julho de 2009 e abril de 2010.
No comunicado divulgado logo após a reunião, o Copom deixou claro que haverá pelo menos mais um corte de juros na reunião dos dias 10 e 11 de julho, ao mencionar que a redução de 0,5 ponto percentual de ontem estava “dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias”. O fato de ter sido uma decisão unânime é uma outra indicação adicional de que novos cortes virão.
Até lá, eventos importantes vão ocorrer na Europa, onde a crise se agrava dia a dia, que podem ampliar ou não o ritmo de queda da taxa básica de juros. No dia 17 haverá eleições na Grécia, no dia 18 as lideranças mundiais se encontram no G-20 no México e há grandes expectativas em relação aos desdobramentos da crise na Espanha.
Este foi sétimo corte consecutivo da Selic, desde agosto de 2011, quando, antecipando-se aos efeitos da crise internacional e suas consequências recessivas e desinflacionárias, o BC começou a patrocinar um longo ciclo de afrouxamento monetário.
Mas o ritmo desse processo, que havia se acelerado em março e abril, arrefeceu. Após duas quedas de 0,75 ponto percentual, a Selic, que de agosto a abril recuou de 12,5% para 9% ao ano, desta vez caiu meio ponto percentual.
A reunião de ontem foi a primeira sob o novo regulamento do Copom. O texto da norma que rege o funcionamento do comitê foi alterado na semana passada, para se adaptar à nova lei de acesso à informação. Antes, havendo divergência entre os membros do colegiado, divulgava-se somente o placar. Agora, o Copom vai divulgar os votos de cada um dos diretores. Dessa vez, isso não fez diferença porque a decisão foi unânime.
No breve comunicado, o Copom justificou o corte afirmando que, “neste momento, permanecem limitados os riscos para a trajetória da inflação”. O comitê ainda reiterou que, “dada a fragilidade da economia global”, a contribuição do setor externo tem sido desinflacionária”.
O mercado já esperava uma desaceleração do processo de queda da Selic. A última edição da pesquisa Focus, feita pelo BC junto a uma centena de bancos e outras empresas, mostrou que a mediana das projeções para a meta de taxa Selic era de exatos 8,5% ao ano na sexta-feira, dia 25.
Ao falar em “parcimônia” na ata da reunião de abril, o próprio BC tinha sinalizado que colocaria um pé no freio. “Mesmo considerando que a recuperação da atividade vem ocorrendo mais lentamente do que se antecipava, o Copom entende que, dados os efeitos cumulativos e defasados das ações de política implementadas até o momento, qualquer movimento de flexibilização monetária adicional deve ser conduzido com parcimônia”, informou o BC no texto.
Ou seja, mesmo com crescimento fraco, o Copom entende que é preciso ser parcimonioso porque a atividade econômica ainda será estimulada pelo efeito defasado de reduções anteriores da Selic.
Autor(es): Por Mônica Izaguirre e Claudia Safatle | De Brasília
Valor Econômico – 31/05/2012
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