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Copom leva Selic a 7,25% e indica fim do ciclo de cortes

15 de outubro de 2012 4 min de leitura

O Banco Central anunciou, na noite de quarta-feira, 10 de outubro, novo corte na taxa básica de juros da economia. Com vigência a partir de quinta-feira, 11de outubro, a nova Selic é de 7,25% ao ano, o menor patamar desde que a política monetária brasileira passou a ter como bússola o regime de metas para inflação, em 1999.

“Considerando o balanço de riscos para inflação, a recuperação da atividade doméstica e a complexidade que envolve o ambiente internacional, o Comitê entende que a estabilidade das condições monetárias por um período de tempo suficientemente prolongado é a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta, ainda que de forma não linear”, informou o Comitê de Política Monetária do BC, em comunicado após a reunião que decidiu o novo nível da taxa.

A Selic já vinha caindo há mais de um ano. O corte de quarta-feira foi o décimo seguido desde 31 de agosto do ano passado, quando o Copom deu uma guinada e, após um período de elevação da taxa, deu início a um ciclo de afrouxamento monetário para minimizar os efeitos recessivos da crise internacional sobre a economia do país.

A magnitude desta nova redução, que pode ter sido a última do ciclo, no entanto, foi menor. Fiel ao conteúdo do comunicado emitido ao fim da reunião anterior, em 29 de agosto, o Copom desta vez tirou apenas 0,25 ponto da Selic, que até então estava em 7,5% ao ano. No comunicado e na ata da reunião, o colegiado já tinha avisado que, se o cenário prospectivo viesse a comportar um ajuste adicional nas condições monetárias, esse movimento seria “conduzido com máxima parcimônia”.

Os nove cortes anteriores tinham sido mais profundos. A trajetória de queda começou com meio ponto percentual no fim de agosto de 2011, manteve-se essa passada por mais três reuniões do comitê, acelerou-se com dois cortes seguidos de 0,75 ponto, em março e abril deste ano, e voltou-se ao ritmo original nas três últimas antes da de quarta-feira.

O retorno à velocidade original também tinha sido sinalizado, por um discurso de “parcimônia” apenas. O discurso ganhou força, após reunião de agosto passado, com o acréscimo do adjetivo “máxima” à expressão. Somada à evolução dos índices de inflação, que voltaram a subir com o choque de oferta de produtos agrícolas, essa ênfase em mais parcimônia levou parte dos economistas a prever que o ciclo de alívio na taxa básica de juros tinha se encerrado na reunião de agosto passado, quando a Selic caiu de 8% para 7,5% ao ano.

Tanto que as apostas de que a taxa entrara num novo período, de estabilidade, foram captadas pela pesquisa de expectativas de mercado divulgada semanalmente pelo BC no boletim Focus. A mediana das projeções da última edição divulgada da pesquisa com data base na sexta-feira, dia 5, apontou Selic ainda no nível de 7,5% ao ano no fim de outubro.

Isso levando em conta todo o conjunto de bancos e empresas consultados. A mediana das projeções feitas pelo grupo de cinco instituições que mais vêm acertando previsões sobre a Selic (TOP 5) já antecipava a queda de 0,25 ponto decidida quarta-feira.

A fala do diretor de Assuntos Internacionais do BC e membro do Copom, Luiz Awazu Pereira, ajudou a realinhar projeções para baixo. Na quinta-feira, dia 4, em evento na BMF&Bovespa, ele disse ser “importante” que a política monetária seja “capaz de calibrar o ponto mais favorável” entre a maximização das chances de continuidade de crescimento da economia e a minimização dos riscos para a estabilidade monetária e financeira.

Por Mônica Izaguirre e Eduardo Campos | Valor Econômico

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