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Crise e dólar derrubam deficit externo e investimento no país em 2015

26 de janeiro de 2016 3 min de leitura

A queda na atividade econômica e a alta do dólar reduziram o deficit em transações correntes do país em 43%, para US$ 58,9 bilhões, segundo o Banco Central.

No ano passado, o Brasil reduziu, principalmente, suas despesas com importações, viagens internacionais e remessas de lucro.

Na comparação com o PIB (Produto Interno Bruto) estimado pelo BC para o período, o deficit ficou em 3,32%. Caiu em relação aos 4,31% de 2014, mas ainda está acima do visto em 2013 (3,13%).

A melhora nas contas externas do país tem sido comemorada pelo governo como um dos poucos ajustes econômicos que deram certo no ano passado. A queda no deficit também contribuiu para reduzir a pressão sobre a taxa de câmbio, que mesmo assim teve uma desvalorização de cerca de 50% no ano passado.

INVESTIMENTOS

Enquanto as transações de bens, serviços e rendas com outros países apresentaram melhora no ano passado, as transações financeiras pioraram.

O investimento direto em empresas no Brasil ficou em US$ 75,1 bilhões, 23% menor que o de 2014. Esse também é o menor valor da série que começa em 2010. Em relação ao PIB, que encolheu no ano passado, o investimento passou de 4% para 4,2%, maior valor da série.

Os investimentos estrangeiros também recuaram 15% no mercado de ações e 40% nas aplicações em renda fixa.

EXPECTATIVAS PARA 2016

O BC projeta investimentos diretos de US$ 60 bilhões (3,9%) para 2016. Em relação às transações correntes, espera nova queda no deficit, para US$ 41 bilhões (2,7% do PIB).

Para janeiro, o BC projeta um deficit em transações correntes de US$ 6,7 bilhões, cerca de metade do verificado no mesmo mês de 2015. “Há uma sinalização da continuidade desse processo de ajuste”, afirmou Maciel.

O chefe do Departamento Econômico do BC atribuiu a redução no resultado negativo em 2015 a fatores conjunturais e estruturais.

No primeiro caso, destacou a alta do dólar e a menor demanda por bens e serviços do exterior. No segundo, destacou o regime de câmbio flutuante e a mudança no perfil do passivo brasileiro, que deixou de ser predominantemente de dívida e, agora, é formado principalmente por investimentos no país.

“Nos anos 80 e 90, em momentos de crise, você tinha um gargalo na conta de juros, o que agravava a situação. Hoje, não. Investidores são quase como sócios. Em momentos adversos, o fluxo de lucros e dividendos se retrai, que é o que observamos ”, afirmou.

Maciel disse ainda que, no final de 2014, o deficit externo era uma preocupação na cabeça dos analistas financeiros e que, hoje, essa preocupação está bastante atenuada.

Fonte Folha de São Paulo

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