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Dólar sobe mais de 2% após BC dos EUA sinalizar alta dos juros; Bolsa cai
A ata da última reunião do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA), divulgada na tarde desta quarta-feira (18), sinalizou que os juros americanospodem subir já no próximo encontro de política monetária, em junho. Como resultado, o dólar ampliou a alta sobre as demais moedas.
No campo doméstico, o dólar comercial terminou com ganho de mais de 2%, para o patamar de R$ 3,56. O Ibovespa caiu, acompanhando a perda de fôlego da Bolsa de Nova York. O recuo do petróleo também pressionou os mercados emergentes, associados a commodities, como o brasileiro.
Conforme a ata, o Federal Reserve deve elevar os juros em junho se dados indicarem crescimento mais forte da economia americana no segundo trimestre. O documento sinaliza que o banco central está muito mais próximo de aumentar os juros novamente.
Nesta terça-feira (17), depois da divulgação do índice de preços ao consumidor americano de abril —que avançou 0,4% na comparação mensal, a maior alta em mais de três anos— e de dados fortes da produção industrial, aumentaram as apostas de elevação dos juros americanos no próximo mês.
“A ata do Fed refere-se ao encontro de abril, e não contempla os dados de inflação divulgados ontem (terça-feira)”, destaca Cleber Alessie, operador de câmbio da corretora H.Commcor. “Ou seja, se a ata do Fed foi altista em relação ao juros, considere-a ainda mais após os dados de inflação de abril”, acrescenta.
No cenário doméstico, após a nomeação da equipe econômica, o mercado aguarda as primeiras medidas concretas do governo de Michel Temer para reagir.
“A situação das contas públicas parece ser pior que o novo governo esperava e isso pode tornar o ajuste ainda mais rigoroso, o que pode amargar o relacionamento com o Congresso”, escreve a equipe de análise da Lerosa Investimentos.
“A aceitação e o poder de negociação para que uma agenda mínima possa ser votada é crucial para a retomada da confiança interna. Enquanto isso, vai se diluindo a aposta na rápida recuperação da economia”, acrescenta a Lerosa.
Em reunião com líderes do Senado, o presidente interino Michel Temer disse que pretende enviar ao Congresso na segunda-feira (23) proposta de revisão da meta fiscal com elevação do deficit de R$ 96 bilhões para cerca de R$ 150 bilhões.
CÂMBIO E JUROS
O dólar comercial fechou em alta de 2,09%, para R$ 3,5650. O dólar à vista fechou em alta de 0,73%, a R$ 3,5316, antes da divulgação da ata do Fed.
A alta da moeda americana ante o real também foi influenciada pelo leilão de US$ 1 bilhão em swap cambial reverso realizado nesta manhã pelo Banco Central, após uma pausa de três sessões. Entretanto, foi o cenário externo que ditou o rumo do câmbio.
No mercado de juros futuros, o contrato de DI para janeiro de 2017 avançou de 13,650% para 13,685%; o DI para janeiro de 2021 subiu de 12,380% para 12,620%.
O CDS (credit default swap) do Brasil, espécie de seguro contra calote e indicador de percepção de risco, subia 3,01%, para 342,580 pontos.
BOLSA
O Ibovespa, que ensaiava uma recuperação do tombo de 1,86% na véspera, virou e fechou em baixa de 0,55%, aos 50.561,70 pontos. O giro financeiro foi de R$ 7,8 bilhões.
As ações PN da Petrobras caíram 1,89%, a R$ 9,32 (PN) e 3,14%, a R$ 12,01 (ON). Os papéis da Vale recuaram 3,46%, a R$ 11,97 (PNA) e 2,77%, a R$ 14,71 (ON).
No setor financeiro, Itaú Unibanco PN avançou 1,55%; Bradesco PN, +0,43%; Banco do Brasil ON, +0,11%; Santander unit, +0,39%. BM&FBovespa ON perdeu 1,13%.
EXTERIOR
Na Bolsa de Nova York, o índice Dow Jones fechou em queda de 0,02%; o S&P 500, -0,02% e o Nasdaq, +0,50%.
Na Europa, com exceção de Londres (-0,03%), os principais índices subiram. Na Ásia, a maior parte das Bolsas caiu com as apostas de uma alta mais rápida dos juros nos EUA.
Os preços do petróleo recuavam: em Londres, o Brent perdia 1,48%, para US$ 48,55 o barril; em Nova York, o WTI caía 0,89%, para US$ 47,88 o barril.
Fonte: Folha de São Paulo
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