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Fed sinaliza que juros podem demorar mais para subir nos EUA
A ata da última reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) mostrou que a desaceleração da economia mundial e o fortalecimento do dólar passaram a representar riscos potenciais às perspectivas da economia americana
expansão econômica do país “poderá ser mais lenta do que se previa, caso o crescimento da economia externa se revele mais fraco do que o projetado”, segundo a ata do encontro do Fomc (o comitê de política monetária) realizado em 16 e 17 de setembro, divulgada ontem em Washington. Após a apresentação do documento, as ações subiram e o dólar caiu, com os investidores especulando que o alerta sobre as perspectivas econômicas levaria o Fed a manter as taxas de juros próximas de zero por mais tempo que o esperado.
As autoridades alertaram que o contágio gerado pelo desaquecimento da economia europeia e pela baixa inflação poderia valorizar o dólar ainda mais, o que reduziria as exportações americanas e limitaria a alta dos preços, que ficaram aquém da meta de 2% fixada pelo Federal Reserve.
“Alguns participantes manifestaram a preocupação de que o persistente déficit do crescimento econômico e da inflação da zona do euro poderia levar a uma nova valorização do dólar e ter efeitos adversos sobre o setor externo americano”, disse a ata.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu na segunda-feira sua perspectiva para o crescimento mundial em 2015 para 3,8%, a partir da estimativa de 4% formulada em julho. Para os Estados Unidos, o fundo estimou um crescimento de 3,1% no ano que vem.
Os presidentes regionais do Fed, entre os quais Dennis Lockhart, de Atlanta, William C. Dudley, de Nova York, e Charles Evans, de Chicago, disseram que nos últimos trinta dias estão observando a movimentação da moeda americana, na medida em que as autoridades discutem o momento adequado para adotar o primeiro aumento da taxa de juros desde 2006.
O Fomc manteve no mês passado a promessa de manter as taxas de juros próximas de zero por um “tempo considerável” após a conclusão do programa de compra de ativos, com encerramento previsto para logo depois de sua reunião de outubro.
“Alguns participantes encararam a atual orientação futura como adequada à luz de considerações de gestão de risco, que sugeriam que seria prudente pecar pelo excesso de paciência enquanto se esperam novas evidências de avanço sustentado rumo às metas do comitê”, conforme mostra a ata do encontro.
“Eles não apenas não estão preparados para elevar as taxas, eles nem sequer querem que as pessoas pensem que estão preparados para elevar as taxas; portanto não está nem sequer na tela do radar”, disse Ward McCarthy, economista-chefe do Jefferies Group, de Nova York.
Ao mesmo tempo, “levantou-se a preocupação de que a referência ao ‘tempo considerável’ na orientação futura atual possa ser mal interpretada como um compromisso, e não como dependente dos dados”, disse a ata.
Alguns participantes do Fomc ponderaram que o abandono da promessa ofereceria mais flexibilidade para reagir a novos dados da economia. O presidente do Fed de Dallas, Richard Fisher, e o da Filadélfia, Charles Plosser, discordaram do comunicado da Fomc de setembro. A ata mostrou que houve uma discussão sobre estabilidade financeira e seus desdobramentos, como a deterioração dos padrões para os empréstimos alavancados, o alongamento das avaliações da bolsa e a compressão dos spreads de risco.
Desde o comunicado do Fomc do mês passado, o relatório do nível de emprego de setembro revelou que a recuperação do mercado de trabalho continua em curso, com um aumento de 248 mil vagas no mês passado, após o de 180 mil registrado em agosto, maior que o estimado anteriormente. Isso empurrou o desemprego para 5,9%, sua baixa recorde dos últimos seis anos, segundo o Departamento do Trabalho.
Outros indicadores, como os dados sobre a duração do desemprego e o número de pessoas que trabalham meio período por não conseguirem encontrar empregos em período integral, ainda sugerem que há certo déficit de vagas em relação à demanda por emprego.
“O mercado de trabalho ainda não se recuperou plenamente”, disse a presidente do Fed, Janet Yellen, em entrevista coletiva concedida após a reunião do Fomc. “Ainda há um excesso de pessoas que querem emprego e não encontram.” A presidente do Fed acrescentou que a inflação continua abaixo da meta do Fed.
Projeções divulgadas em 17 de setembro mostram que a maioria das autoridades prevê um aumento das taxas de juros para algum momento do ano que vem. O BC americano mantém sua taxa referencial próxima de zero desde dezembro de 2008.
Fonte: VALOR ECONÔMICO
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