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Fundos aproveitam alta da volatilidade. Vaivém de moedas oferece oportunidade para gestores amplificarem ganhos com arbitragem

21 de maio de 2012 4 min de leitura
Valor Econômico – 16/05/2012
Depois de meses de estabilidade, os mercados de câmbio estão se tornando voláteis novamente, graças às turbulências na Europa. E alguns investidores estão se preparando para uma rota ainda mais conturbada pela frente. Esta semana, o euro atingiu o ponto mais baixo em quatro meses ante o dólar, e o dólar australiano, que pouco tempo atrás parecia inatingível, caiu abaixo de US$ 1 pela primeira vez desde dezembro.

Além disso, um indicador muito acompanhado da volatilidade do câmbio sugere que os abalos recentes provavelmente se transformarão em oscilações maiores, dizem analistas. Conhecida como “volatilidade implícita”, a medida é baseada nos preços de opções, que tendem a subir quando os investidores compram mais proteção para suas carteiras, e é expressa em porcentagem.

Um índice do J.P. Morgan da volatilidade implícita em sete moedas aumentou 15% durante as últimas duas semanas. A volatilidade implícita durante o próximo mês para a taxa de câmbio euro/dólar subiu de 8,35%, o nível mais baixo em dois anos, em 27 de abril, para 10,13% ontem.

O euro caiu acentuadamente esta semana, à medida que os políticos gregos não conseguiram formar um governo de coalizão, levantando dúvidas se o endividado país será capaz de permanecer na zona do euro. Isso fez a moeda comum cair a US$ 1,2721, seu nível mais baixo desde 17 de janeiro, queda de mais de 3% só neste mês.

O aumento na volatilidade pode apresentar uma rara oportunidade para os fundos de hedge, cujos retornos em mercados de câmbio se definharam durante o período de calma que marcou a maior parte deste ano. O índice Parker Global Strategies Currency Managers, que acompanha esses fundos, caiu 0,03% em abril, após perder 2,2% em março, seu pior desempenho em sete meses.

Alguns investidores usaram o período de relativa calmaria para assumir posições no mercado de opções que se beneficiarão do retorno da volatilidade. O FX Concepts, um fundo de hedge focado no mercado de câmbio, tem investido em opções de euros na esperança de ganhar com um aumento da volatilidade, disse Ron DiRusso, chefe de pesquisa do fundo.

Nem todos os investidores estão colocando dinheiro num aumento da volatilidade do euro e de outras moedas. Como qualquer apólice de seguro, as opções requerem que os investidores paguem regularmente para manter sua proteção. Caso a estabilidade vista entre janeiro e abril retorne, os investidores que no momento estão comprando opções vão ter comprado seguro do qual não precisavam.

Desde a crise financeira, os bancos centrais e governos ao redor do mundo têm podido evitar algumas grandes oscilações, comprando e vendendo moedas. Eles também têm indiretamente acalmado os mercados de divisas por meio de programas de compra de ativos, que empurram para baixo o valor do papel-moeda.

“Isso é um problema com o qual teremos de conviver por algum tempo”, disse Osvaldo Canavosio, analista da Man Investments, referindo-se à falta de volatilidade. Mas outros investidores estão mais confiantes ao fazer suas apostas.

“É difícil, para mim, argumentar que a volatilidade de curto prazo no mercado de câmbio deve manter-se em níveis baixos […] tendo em conta todos os riscos no mercado”, disse Collin Crownover, que ajuda a administrar US$ 100 bilhões em posições cambiais na State Street Global Advisors.

A volatilidade implícita tem reputação de ser um indicador antecedente confiável. Em 2011, quando as preocupações sobre a crise de dívida da zona do euro se intensificaram, a volatilidade implícita atingiu um pico no fim de setembro, e a volatilidade real atingiu o nível mais alto em dois anos e meio no início de novembro.

Além disso, a diferença entre os preços de opções de um mês e de um ano, que estava recentemente no seu maior nível desde 2009, também diminuiu desde as eleições gregas em 6 de maio. Essas disparidades entre pontos de vista sobre a volatilidade de curto e longo prazo normalmente não duram muito tempo, dizem os analistas, e muitas vezes precedem grandes oscilações, como a forte queda do euro contra o dólar ontem.

Helie d”Hautefort, da Overlay Asset Management, um fundo de US$ 13,5 bilhões especializado no mercado de cambio, propriedade da BNP Paribas Investment Partners, está apostando num aumento da volatilidade, investindo em opções na taxa de câmbio euro/iene. “Há potencial para mais volatilidade do que o tipo de equilíbrio que vimos recentemente nas principais moedas”, disse d”Hautefort.

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