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Ibovespa terá menos distorções e perfil global
16 de setembro de 2013
4 min de leitura
Analistas e gestores aprovaram a nova metodologia do Ibovespa, divulgada na noite de quarta pela BM&FBovespa. Na avaliação dos especialistas, as alterações deixam o índice mais próximo do formato adotado para os referenciais dos principais mercados mundiais.
Além disso, o “novo” Ibovespa, que entrará em vigor de forma gradual no início de 2014, com implementação completa a partir de maio, também refletirá melhor a economia do país, dando maior peso às empresas com valor de mercado relevante, ponderadas pela liquidez de seus papéis.
Um dos cuidados tomados pelo presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto, ao apresentar o novo índice ontem, foi o de desvincular as alterações na metodologia neste momento do “efeito Eike Batista”, cujas empresas registraram forte desvalorização nos últimos meses, provocando distorções no índice.
“A mudança na metodologia foi uma das decisões mais difíceis da bolsa nos últimos anos”, afirmou. “Tomamos a melhor decisão para o mercado de capitais e para as empresas”, disse. Edemir admitiu, contudo, que o caso da petroleira OGX influenciou na decisão do grupo de trabalho, que já vinha trabalhando na nova metodologia há mais de um ano.
A mudança da metodologia do Ibovespa foi elogiada por Jorge Simino, diretor de investimentos da Fundação Cesp. “O índice vai ficar melhor e coerente com o resto do mundo”, disse, durante participação na Expo Money, em São Paulo.
O diretor de produtos da BM&Bovespa, Eduardo Guardia, disse que a nova metodologia não deve alterar o universo de companhias que hoje estão no Ibovespa. “As empresas que compõem o índice tendem a mudar pouco. Não esperamos alteração material na composição. O que haverá é mudança na participação”.
Pelos cálculos do Bank of America Merrill Lynch, as ações que sairão ganhando com a nova metodologia são Tractebel ON, Estácio ON, Vale ON, Bradesco ON e Ultrapar ON. As perdedoras, por sua vez, são Usiminas ON, Eletrobras ON, Oi ON, Eletropaulo PN e Brookfield ON. Em maio, quando a metodologia estiver valendo integralmente, devem deixar o índice Oi ON, B2W ON, Usiminas ON, V-Agro ON e Transmissão Paulista PN.
A carteira teórica que será válida entre janeiro e abril de 2014 será calculada a partir de uma média simples entre a metodologia atual e a nova, afirmou Guardia. Por exemplo: uma ação que teria peso de 4% pelo critério atual e 2% no novo, terá participação de 3% na carteira de janeiro. O objetivo da mudança gradual, segundo a BM&FBovespa, é suavizar os efeitos da nova metodologia no índice.
“É uma decisão positiva. Seria uma alteração muito brusca para a carteira dos fundos passivos”, argumenta o analista da UM Investimentos, Thomas Chang.
Embora tenha afirmado algumas vezes neste ano que a Bovespa não pretendia realizar alterações no Ibovespa, mantendo sua principal característica ter a mesma metodologia há 45 anos, Edemir Pinto admitiu que o fato de o Ibovespa ser o índice com maior liquidez foi relevante na decisão de alterá-lo, em vez de criar um novo indicador para o mercado brasileiro.
“Nós analisamos IBX 50 ou IBX 100 . Optou-se por alterar o Ibovespa porque esses índices não atingiram liquidez .” Edemir acrescentou ainda que, se a Bovespa decidisse criar um novo índice, “iria mais atrapalhar do que ajudar . Já temos vários índices ”.
O novo Ibovespa se aproxima de importantes e respeitados “benchmarks” internacionais, diz o analista da Clear Corretora, Raphael Figueredo. O especialista aprovou as mudanças e afirmou que, com elas, o índice espelha melhor a economia, já que é ponderado por valor de mercado. “O Ibovespa agora se aproximará do S&P-500, que é o indicador mais acompanhado do mundo, e do Russel Global, um índice que engloba as principais ações do mundo”, afirma.
O S&P-500 veio suprir a carência por um índice mais “realista” nos EUA. Ponderado por valor de mercado, tornou-se referência importante no mercado internacional. O índice é focado em “large caps” (empresas de grande valor de mercado), mas que tenham pelo menos 50% de suas ações em circulação. O índice em seu formato atual começou a ser negociado em 4 de março de 1957. O Russel Global é ponderado por valor de mercado ajustado por liquidez e engloba cerca de 10 mil ativos de 47 países.
A analista Renata Cabral, da Santander Corretora, afirma que o Ibovespa era o único índice no mundo baseado em liquidez. Ao alterar a metodologia, a bolsa deixou o índice mais próximo da realidade econômica brasileira, bem como de importantes indicadores globais de ações, como o MSCI.
Fonte: ABBC
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