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Juro mais alto pode impulsionar ações brasileiras
Um ligeiro avanço na taxa Selic poderia na realidade impulsionar as ações, na avaliação de analistas, por reduzir preocupações com inflação e tranquilizar investidores que foram afugentados pela ameaça de crescente intervenção governamental no setor privado.
“Certamente isso não seria uma coisa negativa”, disse Deiwes Rubira, sócio da gestora de recursos Verus em São Paulo, que citou também que tal ação ajudaria a reduzir as incertezas sobre o que muitos veem como a má gestão do governo sobre a economia.
O Ibovespa, referencial do mercado acionário brasileiro, perdeu 7 % de seu valor neste ano, frustrando projeções de analistas feitas apenas alguns meses atrás, de que um recuo da taxa básica Selic –atualmente no menor patamar da história, a 7,25 % ao ano– ajudaria a impulsionar o mercado acionário local, por atrair para ações recursos antes alocados em ativos de renda fixa.
Mas a migração não aconteceu, disseram analistas, porque o impacto da redução dos juros foi ofuscado pela ansiedade deixada por pesadas intervenções do governo em setores como telecomunicações, concessões elétricas e bancos no ano passado.
Somando-se às preocupações dos investidores, os preços ao consumidor subiram neste início de 2013, levando a inflação acumulada em 12 meses a ficar próxima do teto de 6,5 % da meta oficial –um problema que o governo da presidente Dilma Rousseff tem tentado controlar com cortes de impostos, manutenção dos preços de combustíveis, ou qualquer coisa menos o aumento da taxa de juros.
Caixa e BB não esperam alta da Selic em futuro próximo
A Caixa Econômica Federal não espera que o Banco Central irá mexer na taxa básica de juros da economia, a Selic, em um curto espaço de tempo.
O presidente da instituição, Jorge Hereda, afirmou que as projeções não indicam que o aumento ‘está tão próximo assim’. A afirmação foi feita em evento realizado na manhã desta quarta-feira para inauguração de um data center em conjunto com o Banco do Brasil (BB).
“O mercado está precificando isso, mas a Caixa não está. E isso não está mexendo com a captação da gente”, afirmou Hereda, acrescentando que a possibilidade de nova redução dos juros praticados pela instituição, depois dos cortes realizados desde abril do ano passado, vai depender de ganhos de eficiência e produtividade.
O presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, afirmou que uma eventual mudança nos juros praticados pelo banco estatal vai depender de uma decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC e não serão feitas mudanças com base na volatilidade atual na curva de juros.
“É natural que a gente tenha correção técnica se por acaso a autoridade monetária sinalizar um aumento da taxa básica de juros. A gente faz as correções técnicas dentro do espaço possível”, disse Bendine.
Seguindo a mesma linha da Caixa, Bendine declarou ainda que “talvez a velocidade de uma provável elevação da taxa básica de juros não ocorra num curto espaço de tempo, até pelo cenário que está dado no momento”.
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