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JUROS E DÓLAR TERMINAM PERTO DA ESTABILIDADE APÓS SESSÃO VOLÁTIL

07 de janeiro de 2014 4 min de leitura

São Paulo, 06/01/2014 – Os juros futuros e o dólar iniciaram a primeira semana “cheia” do ano sem direção clara, oscilando perto da estabilidade nesta segunda-feira. Sem notícias importantes no cenário doméstico – além das previsões da pesquisa Focus -, os investidores focaram em dados dos EUA, que podem sugerir uma postura mais cautelosa do Federal Reserve na redução dos estímulos monetários.

Ao término da negociação regular na BM&FBovespa, a taxa do contrato de DI para julho de 2014 (60.790 contratos) estava em 10,28%, de 10,27% no ajuste anterior. A taxa do DI para janeiro de 2015 (167.915 contratos) marcava 10,56%, de 10,54% do ajuste de sexta-feira. Na ponta mais longa da curva a termo de juros, o DI para janeiro de 2017 (85.030 contratos) apontava 12,33%, de 12,31%. O DI para janeiro de 2021 (15.255 contratos) indicava taxa de 13,08%, ante 13,07% no ajuste anterior.

O dólar à vista no balcão terminou a sessão estável, cotado a R$ 2,3770. Por volta das 16h30 o giro estava em torno de US$ 869,67 milhões, segundo dados da clearing de câmbio da BM&FBovespa. No mercado futuro, o dólar para fevereiro recuava 0,06% neste horário, a R$ 2,3930. O volume de negociação estava próximo de US$ 10,04 bilhões.

O índice de atividade dos gerentes de compra (PMI, na sigla em inglês) do setor de serviços dos EUA caiu para 53,0 em dezembro, segundo informou o Instituto para Gestão de Oferta (ISM), quando a previsão era de 54,5. Já as encomendas à indústria avançaram 1,8% em novembro, acima das estimativas de alta de 1,5%.

No cenário interno, o HSBC divulgou que o PMI de serviços do Brasil caiu para 51,7 em dezembro, de 52,3 em novembro. Isso levou o PMI composto, que também computa a atividade no setor industrial, a recuar para 51,7, de 51,8.

Mais cedo, o Banco Central divulgou a pesquisa semanal Focus, na qual os participantes do mercado reduziram suas estimativas para o crescimento do PIB este ano de 2,00% para 1,95%.
Mesmo assim, os dados mais aguardados da semana são a produção industrial, na quarta-feira, e o IPCA de dezembro e a primeira prévia do IGP-M de janeiro, ambos na sexta-feira. Além disso, no cenário internacional, o payroll e a ata do Federal Reserve serão conhecidos esta semana.

Enquanto isso, os investidores ainda digerem a fala do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que antecipou o resultado primário do governo central em 2013, com o objetivo de “baixar a ansiedade” do mercado diante do risco de um rebaixamento no rating do País. Ele disse que o primário deve ficar em torno de US$ 75 bilhões, acima da meta de R$ 73 bilhões. Questionado, porém, sobre a meta de superávit para 2014, ele não respondeu se o objetivo será maior do que o estipulado para 2013, e isso acabou causando certo desconforto entre os investidores.

Hoje, a agência de classificação de risco Moody’s divulgou um relatório afirmando que a perspectiva estável para o rating Baa2 do Brasil já leva em conta um cenário de baixo crescimento este ano. “Uma importante medida mostrando deterioração é a relação entre dívida e PIB, que tem subido para a marca de 60% e pode alcançar 62% em 2014”, diz a agência. A Moody’s salientou ainda a “limitada flexibilidade fiscal” do Brasil, além da rígida estrutura de gastos públicos e o fardo “relativamente pesado” dos juros. Segundo afirmou em entrevista exclusiva ao Broadcast o vice-presidente da agência, Mauro Leos, existem maiores chances do Brasil manter o rating e a perspectiva “estável” em 2014. “Se os números da economia vierem em linha com as nossas projeções, então a perspectiva e o rating deverão ficar estáveis neste ano”, comentou. Álvaro Campos –
alvaro.campos@estadao.com)

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