Notícia
Mercado espera manutenção dos juros em 11% em reunião do Copom nesta 4ª feira
FONTE: Gabriela Valente – O Globo
BRASÍLIA – Em sua primeira reunião após a reeleição da presidente Dilma Rousseff, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve manter nesta quarta-feira a taxa básica de juros (Selic) estável nos atuais 11% ao ano, segundo economistas do mercado. Eles esperam que a cúpula do Banco Central (BC) cumpra a sinalização de que quer dar tempo para que a alta de juros de abril do ano passado até o mesmo mês deste ano surta efeito.
Se o BC fizer o esperado, especialistas procurarão decifrar nas mensagens do colegiado os próximos passos no combate à inflação. Os olhares estarão voltados para o comunicado que será divulgado após a reunião e para a ata do encontro, que será publicada na quinta-feira da semana que vem.
Por mais que a inflação acumulada em 12 meses, de 6,75%, esteja acima do teto da meta, mudar a taxa de juros agora poderia gerar mais estresse no mercado, avaliam economistas ouvidos pelo GLOBO.
Até os diretores do BC não têm ideia de qual será a orientação do Planalto para a condução da política fiscal. Com tantas dúvidas no ar, a situação mais confortável para o BC é deixar a política monetária parada onde está e esperar a posse do próximo ministro da Fazenda e, principalmente, do novo secretário do Tesouro.
— Não tem motivo para mudar a Selic neste momento. O BC não está enxergando na frente qual será a mudança na política fiscal — observa o ex-diretor do Banco Central e economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio, Carlos Thadeu de Freitas.
Embora o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado nos últimos 12 meses esteja em 6,75%, acima do teto da meta, o BC considera que não seria apropriado dar um choque de juros. O principal argumento é que a atividade econômica do país não resistiria. Afinal, o Brasil entrou em recessão técnica no segundo trimestre e deve crescer apenas algo em torno de 0,3% neste ano.
Por isso, os analistas do mercado financeiro apostam que o BC voltará a subir os juros no ano que vem. A perspectiva é que em janeiro a Selic suba para 11,25% ao ano. De acordo com o levantamento que o Banco Central faz com os economistas, haveria mais duas altas de 0,25 ponto percentual nas duas reuniões seguintes do Copom.
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