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Nuvem negra some e Ibovespa busca os 54 mil pontos
Após uma semana positiva, índice consegue firmar tendência de alta pela 1ª vez no ano e deve terminar julho no azul.
A nuvem negra que segue o Ibovespa parece estar se dissipando. Após terminar a semana com ganhos de 4,27%, o índice caminha para fechar o mês no azul pela primeira vez em 2013.
“A perspectiva é positiva, achamos que tanto os juros como o dólar tendem a recuar, o que vai dar espaço para renda variável”, aponta Flavio Conde, analista da Gradual Investimentos.
Ele avalia ainda que ao contrário do primeiro semestre, no qual o foco ficou no cenário macroeconômico, agora as atenções estão voltadas para o resultado das empresas.
Pedro Galdi, estrategista- chefe da Slw Corretora , destaca que o Ibovespa está driblando o mau humor externo, o que é bastante natural uma vez que índices americanos como Dow Jones e S&P 500 estão bastante esticados, batendo inclusive recordes históricos.
“A tendência para a bolsa brasileira é de recuperação pelo menos nos três primeiros dias da próxima semana – os últimos do mês. A situação, no entanto, pode mudar após a divulgação de importantes indicadores na quinta”, avalia.
A agenda, que começa a semana sem dados relevantes, traz na quarta-feira (31/07) o PIB preliminar dos Estados Unidos e também a decisão da reunião do FOMC (o Comitê de Política Monetária do Federal Reserve).
“Essa reunião não deve trazer nenhuma novidade quando a uma possível diminuição do programa de estímulo nos EUA. O que vai estar mesmo no radar e deve preocupar são os dados da China”, afirma Conde.
Ainda na quarta-feira à noite, será divulgado o Índice Gerente de Compras (PMI, na sigla em inglês) do país asiático referente ao mês de julho, que vai refletir na sessão de quinta-feira. Vale destacar que a prévia do indicador medida pelo HSBC apontou que a atividade industrial desacelerou para a mínima em 11 meses, ao recuar para 47,7 pontos (o que aponta contração).
O temor é que números ruins da China possam refletir de forma negativa as empresas ligadas às commodities, em especial os papéis da Vale (VALE5), que tem o maior peso (8,7%) no índice.
Conde avalia que esse raciocínio é simplista, pois enquanto a precificação do produto da Vale não é feita pelo crescimento econômico da China. O preço do minério de ferro subiu de US$ 110 para US$ 132, no período de maio até agora, enquanto a economia do país asiático recuou.
“A variação da perspectiva de crescimento da China, que está em 7% ou 7,5% neste ano pode não fazer diferença para muitos setores, como a mineração por exemplo. Dessa forma, o investidor tem de tomar muito cuidado para não ficar neurótico com a expectativa de avanço da economia e sim analisar pontualmente o desempenho dos setores siderúrgico e mineral do país “, conclui.
Resultados do setor financeiro
O Bradesco divulgou o balanço na última semana e apresentou alta de 3,9% no lucro líquido, para R$ 2,9 bilhões. Na segunda-feira (30/07) será a vez do Santander e Itaú divulgarem os resultados.
A inadimplência no setor financeiro nos empréstimos com recursos livres recuou para 5,2% em junho -menor patamar desde julho de 2011. Essa queda deve impactar de forma positiva o resultado do Itaú.
“O Itaú deve apresentar um resultado em linha com o do Bradesco ou com ainda mais avanço no lucro, ajudado principalmente pela a queda na inadimplência”, aponta Carlos Daltozo, analsita do BB Investimentos..
Já o banco espanhol tende a ir na contramão dessa tendência. O Santander, que mostrou queda de 5,5% no lucro no primeiro trimestre deve decepcionar novamente.
“Esperamos nova queda no lucro líquido no 2º trimestre principalmente por conta do aumento da inadimplência. Dessa forma, deve haver um acréscimo da provisão para arcar com as despesas de devedores duvidosos”, afirma Daltozo.
“Além disso, vemos que os bancos de capital estrangeiro estão perdendo espaço no mercado de crédito no país. Enquanto o crédito como um todo tem crescido 16,4%, de acordo com o último dado do Banco Central, o dos bancos privados de capital estrangeiro sobem em torno de 7%”, emenda.
Análise técnica
O Ibovespa reverteu a tendência negativa ao fechar o pregão de sexta-feira (26/07) com alta de 0,72%, aos 49.422. Dessa forma, há grandes chances de índice alcançar o patamar dos 54 mil pontos já na próxima semana.
Fonte: Brasil Econômico
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