Pular para o conteúdo
Referência Gestão e Risco
← Notícias

Notícia

Os destaques do semestre

12 de julho de 2012 6 min de leitura

Foi preciso um trabalho de detetive para identificar as melhores oportunidades da renda variável no primeiro semestre deste ano. Em um período em que o cenário internacional não colaborou e a economia brasileira deu sinais de fadiga, os gestores de fundos de ações e multimercados tiveram que investigar os mercados com lupa. Só assim para não afundar junto com o principal índice da bolsa brasileira, que caiu 4,23% no período.

Frente a esse cenário nada animador, houve quem conseguisse retorno de 49%, segundo levantamento do consultor Marcelo d’Agosto, autor do blog “O Consultor Financeiro”, no portal Valor, com base na Economática. O resultado é expressivo principalmente quando se considera que, na média, 17 das 19 categorias de fundos fecharam a primeira metade do ano com retorno de um dígito. Para ter acesso aos fundos estrelados, entretanto, é preciso, em geral, ter pelo menos R$ 20 mil para a primeira aplicação.

Com o setor de commodities pesando sobre o Ibovespa, os fundos com melhor desempenho no primeiro semestre foram os que não tinham qualquer vínculo com o índice. As carteiras que buscam superar o Ibovespa só aparecem a partir da décima posição. Antes delas estão fundos de dividendos, setoriais, small caps e, principalmente, os chamados livres, que têm mais liberdade para escolher papéis.

Foi na bolsa, mas fora do índice, que a gestora do Itaú alcançou o maior retorno entre os multimercados no primeiro semestre, de 18%. O fundo Brasil EUA investe em ações de baixa capitalização, as chamadas small caps, nos mercados dos dois países. Pode aplicar até 20% do patrimônio na bolsa americana.

A intenção da gestora ao investir em empresas dos EUA, quando o fundo foi criado em 2010, era complementar a carteira com setores pouco presentes entre os papéis de baixa liquidez da bolsa brasileira, como os de tecnologia e entretenimento. “A gente atirou em uma coisa e acabou acertando em outra”, diz o diretor de gestão da Itaú Asset Management, Paulo Corchaki, ao destacar que o desempenho das americanas foi o que puxou o fundo no primeiro semestre, enquanto os papéis brasileiros não colaboraram tanto. “Os EUA estavam se recuperando da crise, enquanto o Brasil tinha seus problemas de desaceleração econômica”, diz.

O fundo ganhou principalmente com papéis americanos dos setores de consumo, tecnologia e serviços de saúde. Para o segundo semestre, Corchaki aposta na presença das empresas voltadas para o consumo interno na carteira. “O que vemos de bom no Brasil é que a economia tem uma dinâmica própria, que não depende de exportações como as asiáticas, por exemplo.” O peso das commodities sobre a bolsa brasileira não é proporcional à importância delas para a economia como um todo, considera.

Já para Demian Pons, gestor de fundos da Credit Suisse Hedging-Griffo, as ações das empresas voltadas para o consumo doméstico estão caras. “As avaliações ainda não refletem o fato de a retomada na atividade econômica, que todos achavam que viria, não ter acontecido”, diz.

O Equity Hedge Levante, da Hedging-Griffo, foi o fundo “long and short” de maior retorno no semestre. Esse tipo de carteira monta tanto posições compradas quanto vendidas em ações. No período, empresas de consumo doméstico estiveram do lado comprado, ou seja, da aposta na alta, enquanto construtoras figuraram nas posições vendidas, em que a gestora esperava quedas.

Além de ter reduzido as apostas em consumo, a gestora já zerou as posições vendidas em construção. Entre as perspectivas otimistas do gestor para o segundo semestre está o setor de utilidade pública. Ações de empresas como concessionárias de rodovias, com bom fluxo de dividendos e certa proteção contra inflação, podem se beneficiar do novo cenário de juros baixos. “No primeiro semestre, não tivemos uma super grande aposta, mas uma coleção de apostas pequenas”, diz Pons.

Foi também uma boa seleção de ações que garantiu o retorno expressivo do fundo Apogeo Dividendos no semestre, segundo Paulo Bittencourt, diretor técnico da Apogeo Investimentos. Diante de uma postura defensiva dos investidores, os fundos de boas pagadoras de dividendos foram os que, na média, mais se destacaram no primeiro semestre, com valorização de 11%. O Apogeo Dividendos conseguiu se sobressair no grupo, com 21%.

Entre os destaques do portfólio estão as empresas do setor elétrico, como Cemig. Além do histórico robusto, afirma Bittencourt, há boas perspectivas para a demanda. “A classe C está crescendo bastante e consumindo mais aparelhos elétricos”, diz, acrescentando que o setor de telefonia móvel também deve ter lugar na carteira do fundo, de olho no mercado consumidor.

“Mais do que setores, foram os papéis que têm fluxo de caixa mais previsível que subiram bastante no primeiro semestre”, afirma Bruno de Godoy Garcia, gestor sênior de portfólio da BNY Mellon. O fundo livre da gestora garantiu retorno de 21% no período com uma carteira que incluía empresas como Cielo, Iochpe-Maxion, Hering, OHL e Unicasa. O portfólio foi beneficiado, segundo Garcia, por ações das companhias que, apesar do contexto econômico ruim, não sofreram revisões para baixo nas projeções de seus lucros.

Com a queda da taxa básica de juros, considera o gestor, também ganham força as ações que são vistas como uma aproximação da renda fixa, por garantirem fluxos relativamente estáveis. Ele cita as concessionárias de rodovia e os shopping centers.

Para o segundo semestre, os gestores de fundos – e os investidores que aplicam em suas carteiras – ficam com o desafio de identificar que oportunidades já ficaram caras demais. “O desaquecimento da economia está surpreendendo e as empresas que pareciam estar baratas passaram a ficar um pouco caras”, diz Garcia. É hora de retomar a lupa. “O setor como um todo terá que ser mais seletivo, separar melhor o joio do trigo.”

Já a Advis, que apareceu entre os melhores resultados em duas categorias, preferiu não dar entrevista.

Por Luciana Seabra e Antonio Perez                                             Fonte: Valor Econômico

Ficou com alguma dúvida sobre o tema?

Leia também

Notícia

Workshop 2024

No início de 2024 foram realizadas 3 edições do workshop com foco na Nota Técnica SEI nº 296/2023/MP e Relatório Governança TCE.

Ler mais
Notícia

Treinamento PI 2024

Nos dias 06 e 07 de Novembro de 2023, com mais de 200 participantes, foi realizado o treinamento da PI e DPIN 2024.

Ler mais