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Reação ao primeiro turno leva Bolsa a disparar 4,7%; dólar recua

07 de outubro de 2014 5 min de leitura

FONTE: Danielle Brant  Folha de São Paulo

Um dia após o primeiro turno das eleições presidenciais, a Bolsa fechou com forte alta e o dólar recuou nesta segunda-feira (6) com a constatação de que o candidato Aécio Neves (PSDB) teve mais votos do que o previsto em pesquisas eleitorais.

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, avançou 4,72%, a 57.115 pontos, empatando em valorização percentual diária com o dia 27 de julho de 2012. Das 70 ações mais negociadas no pregão, 64 subiram e seis caíram.

No mercado cambial, o dólar fechou o dia em baixa ante o real. O dólar à vista, referência no mercado financeiro, caiu 2,31%, a R$ 2,416. Foi a maior queda percentual desde 28 de agosto do ano passado, quando a moeda americana teve desvalorização de 2,43%.

O dólar comercial, usado no comércio exterior, teve queda de 1,58%, a R$ 2,425. Foi a maior queda percentual desde 4 de abril, quando a moeda caiu 1,67%.

A alta da Bolsa é atribuída por analistas ao resultado do primeiro turno das eleições, segundo o qual Aécio teve 33,55% dos votos –34,8 milhões de eleitores–, contra 41,59% da candidata Dilma Rousseff (PT). A votação do tucano foi considerada surpreendente em relação às estimativas de pesquisas eleitorais.

Desde o início da campanha eleitoral, o mercado financeiro tem reagido positivamente quando a oposição apresenta chances de derrotar a atual presidente. Segundo analistas, os investidores veem com bons olhos a possibilidade de mudança de gestão nas estatais, pois consideram que a atual administração tem tomado medidas intervencionistas.

“A alta de hoje foi reflexo, sem dúvida alguma, da surpresa que as urnas trouxeram ontem . A diferença do Aécio foi menor do que a que estava sendo apontada nas pesquisas eleitorais. As notícias agradaram ao mercado, que premiou a Bolsa”, afirma Newton Rosa, economista-chefe da Sul América Investimentos.

AÇÕES

As estatais foram as protagonistas da sessão. Os papéis do Banco do Brasil subiram 11,92%, a R$ 29,11, e lideraram os ganhos do Ibovespa.

Já os papéis preferenciais da Petrobras, os mais negociados, fecharam o dia com avanço de 11,12%, a R$ 20,39. As ações ordinárias da petrolífera, com direito a voto, tiveram alta de 9,71%, a R$ 19,20.

As ações preferenciais da Eletrobras fecharam com valorização de 6,46%, a R$ 10,38, e as ordinárias avançaram 9,29%, a R$ 6,94.

Para Newton Rosa, o cenário incerto traz riscos ao pequeno investidor que estiver pensando em entrar no mercado agora. “É melhor esperar uma definição maior do cenário eleitoral. Os preços estão baixos, mas a volatilidade exige sangue nas veias para aguentar essa movimentação”, afirma o economista.

É o mesmo panorama traçado por Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da TOV Corretora. “Para o pequeno investidor, não é recomendado entrar nesse mercado agora. A volatilidade deve aumentar daqui até o fim do segundo turno. E as estatais comandam essa volatilidade, pois são afetadas pela política econômica e pelo fluxo de investidores mais imediatamente do que as empresas privadas”, afirma.

Do lado contrário, as ações da Suzano fecharam o dia com baixa de 3,18%, a R$ 9,44. Os papéis da Oi caíram 2,45%, a R$ 1,59, e os da Embraer tiveram queda de 1,52%, a R$ 23,33. A primeira e a última são grandes exportadoras, então o cenário de depreciação do dólar acabou afetando o desempenho de suas ações hoje, afirma Sandra Peres, analista-chefe da Coinvalores.

CÂMBIO

A disputa eleitoral também influenciou o mercado cambial nesta segunda-feira. Em um dia de apreciação das principais moedas emergentes perante o dólar, o real conseguiu liderar a relação das divisas com maior alta ante a moeda americana.

“Está clara a perspectiva de mudança de gestão do país, o que diminuiria a percepção de risco do investidor. A diferença de planos econômicos entre situação e oposição é bem grande, e é essa percepção de risco que está em jogo agora”, afirma Ignacio Rey, economista da Guide Investimentos.

Apesar dessa influência eleitoral, a perspectiva para o dólar é de valorização ante o real, por causa da perspectiva de que o Federal Reserve (Fed, banco central americano) eleve as taxas de juros nos Estados Unidos.

Na sexta-feira (3), dados de criação de emprego nos EUA confirmaram a recuperação econômica do país. O dado é um dos que são levados em consideração pelo Fed ao elaborar sua política monetária. Com o aumento da criação de vagas e sinais de recuperação da economia americana, crescem as possibilidades de o Fed elevar os juros antes do previsto.

Um aumento da taxa de juros deixaria os títulos do Tesouro dos EUA, que são remunerados pela taxa e considerados de baixíssimo risco, mais atraentes que aplicações em emergentes, provocando uma migração de recursos desses mercados de volta à economia americana.

“Por outro lado, os salários não estão crescendo como a taxas pré-crise, o que é positivo. Isso não apressaria o banco central americano a subir juros, dado que a inflação não está sendo pressionada pelo mercado de trabalho”, afirma Rey, da Guide Investimentos.

Nesta manhã, o Banco Central vendeu a oferta total de contratos de swap cambial (equivalente à venda de dólares no mercado futuro), como parte das atuações diárias. Foram vendidos 2.000 contratos para 1º de junho e 2.000 para 1º de setembro de 2015, com volume correspondente a US$ 197,7 milhões.

O BC também vendeu nesta sessão a oferta total de até 8.000 contratos de swap para rolagem dos contratos que vencem em 3 de novembro. Ao todo, a autoridade monetária já rolou cerca de 18% do lote total, equivalente a US$ 8,84 bilhões.

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