Notícia
Recuperação econômica no trimestre foi pontual
A atividade econômica no primeiro
trimestre de 2014 dá sinais
de ter sido ligeiramente melhor
do que o mercado esperava inicialmente.
Os dados antecedentes
de indústria, comércio e emprego
mostram um cenário favorável
neste início de ano, porém ainda
insuficiente para traçar um panorama
animador.
A expectativa, apontam economistas,
é de que os resultados
de março, que saem ao longo
deste mês, já mostrem um enfraquecimento
do ritmo, a ser confirmado
no segundo trimestre.
“O comportamento do primeiro
trimestre do ano, que de forma
geral surpreendeu positivamente,
não tende a se sustentar, vai perder
tração”, resume a economista
e sócia da Tendências Consultoria
Integrada, Alessandra Ribeiro.
“Teremos todo o efeito da política
monetária, somado ao carregamento
a partir de março, que é
mais fraco, para prejudicar a atividade
econômica”, destaca a economista
Fernanda Consorte, do
banco Santander, sobre o segundo
trimestre. O economista-chefe
do Banco Fator, José Francisco de
Lima Gonçalves, classifica como
uma “interrupção da piora” o
desempenho da economia no
primeiro trimestre. “Daqui para
frente, continuamos com inflação
incômoda, mercado de trabalho
estabilizado e teremos o efeito da
alta de juros na atividade em geral”,
diz Gonçalves.
O economista do Fator destaca
que atividades que têm maior
relação com o crédito no curto
prazo são mais sensíveis ao ciclo
de aperto monetário realizado
pelo Banco Central. “É nítida a
desaceleração se olharmos para
a indústria automobilística, por
exemplo. Não dá para achar que
tudo está bem quando tem fábrica
que reduz jornada”, aponta.
Em fevereiro, os estoques da indústria
automobilística subiram
a 37 dias, contra 31 em janeiro. E,
em março, as vendas de veículos
caíram 7% na comparação com
fevereiro.
“Com os poucos antecedentes
de março que já temos, tanto
de comércio como de indústria,
vemos indicação de perda de ritmo”,
comentou Alessandra Ribeiro.
A confiança do comércio caiu
2,1% no primeiro trimestre deste
ano, comparada com o mesmo
período do ano passado, enquanto
a da indústria recuou 2,3% em
março ante fevereiro, ambos indicadores
apurados pela Fundação
Getulio Vargas. “Os dados
de confiança tem boa aderência
nos modelos de projeção, por isso
não conseguimos ficar confiantes
com o cenário prospectivo”, afirmou
a sócia da Tendências.
Vinícius Botelho, economista
e pesquisador associado do Instituto
Brasileiro de Economia (Ibre)
da FGV, ressalta que o principal
destaque positivo deste início de
ano veio da indústria de transformação
– que, em fevereiro, aumentou
a produção em 5% sobre
o mesmo mês de 2013 – e do consumo
de eletricidade, mas alerta:
“Estamos convergindo para uma
situação de crescimento baixo.
Olhamos as surpresas positivas
como pontuais”.
FONTE: JORNAL DO COMERCIO
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