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Tesouro Nacional anuncia maior emissão de títulos indexados à Selic

06 de setembro de 2018 3 min de leitura

Em meio ao cenário de volatilidade dos mercados interno e externo, o Tesouro Nacional informou nesta quarta-feira (5) que será ampliada a emissão de títulos da dívida pública indexados à taxa básica de juros da economia, a Selic.

O Plano Anual de Financiamento da Dívida Pública Federal (PAF) estipula os limites mínimo e máximo da participação de cada tipo de título – prefixado ou indexado à inflação, ao câmbio ou à Selic.

O PAF de 2018 previa emissão de título indexados à Selic (chamados de LFTs) entre 31% e 35% de toda a dívida pública federal. Com a revisão anunciada hoje, esses papéis podem representar entre 33% e 37% do total.

De acordo o subsecretário da Dívida Pública, José Franco Morais, as LFTs passaram a ser o título mais procurado por investidores. “A demanda está bastante alta, o que está condizente com cenário de aversão ao risco”, declarou.

Diante das incertezas do cenário nacional, com a proximidade das eleições, e internacional, com a volatilidade do dólar e as disputas comerciais entre os países, aumentou a procura por títulos que garantem rendimento e baixo risco.

“A LFT traz pouca volatilidade. Se por exemplo, o investidor comprar um título prefixado a 10% e depois a taxa aumenta para 11%, o preço do título cai. E o investidor local é muito avesso a perdas, a queda no preço do seu ativo. Já com uma LFT, ele vai receber a Selic. Se ela aumentar ou diminuir, não provoca quedas abruptas no preço do título”, explicou.

Morais explicou que a mudança também vai reduzir o custo da manutenção da dívida pública, isto é, o montante que o governo desembolsa para remunerar os investidores.

“Nesse momento, para emitir um título de dez anos prefixado vai ser de 12%, durante 10 anos. Uma das alternativas é emitir LFT, ao custo da taxa Selic, que hoje está a 6,5%. Ficamos sujeito a esse risco durante alguns anos. Mas mesmo assim, nos parece mais razoável do ponto de vista de custo”, defendeu o subsecretário.

Relação dívida pública/PIB

O Tesouro Nacional também informou nesta quarta que subiu de 75,6% para 77% a projeção da relação da dívida bruta do governo em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) – soma de todas as riquezas produzidas pelo país em um período – em 2018.

O coordenador geral de Planejamento Estratégico da Dívida Pública, Luis Fernando Alves, explicou que a revisão se deve, principalmente, à redução da estimativa de crescimento da economia neste ano. O governo reduziu a projeção de crescimento do PIB de 2,5% para 1,6%.

“A mudança se deve à revisão dos parâmetros das projeções e, principalmente, do PIB. O PIB teve o cenário revisado pra baixo, com uma taxa de crescimento menor, de 1,6% de crescimento. (…)Outra variável que impacta, em proporção menor, foi a taxa de câmbio[ média no ano], que revisada pra cima”, detalhou.

Fonte: Por Yvna Sousa, TV Globo Portal G1

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