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Teto dos gastos voltará ao debate político no médio prazo, aponta fundo Verde

24 de outubro de 2016 3 min de leitura

A aprovação da proposta do teto dos gastos públicos não deve ser sentida no curto prazo pelos políticos, mas a realidade dos cortes deve incomodar quando tiver maior efeito no médio prazo. Quando tal embate ocorrer, o resultado não será o reforço do teto, e sim o contrário, de acordo com avaliação do fundo Verde em seu relatório de gestão de setembro. Os responsáveis pela gestão do veículo, que entre outros nomes conta com Luis Stuhlberger, ressaltam que os congressistas brasileiros parecem não ter compreendido ainda que a proposta para o teto vai fazer com que todas as despesas do governo federal tendam a zero, com exceção da previdência, saúde, educação e salários dos servidores.

“A elegância com que a equipe econômica está vendendo esse fato para o Congresso é de se tirar o chapéu”, escrevem os especialistas. Em vista disso, o ceticismo dos gestores do Verde com a trajetória fiscal brasileira no médio prazo continua. Quando houver essa compreensão daqui alguns anos, o estabelecimento do teto voltará a ser questionado.

Em relação ao mercado global, o relatório do Verde destaca que, até o fim de agosto, ele vinha em uma calmaria inabalável, mas que viu em setembro uma retomada da volatilidade. Dois eventos são apontados para explicar esse movimento: a percepção de que o poder de fogo dos bancos centrais globais é bem mais limitado, após sinalizações recentes do BOJ japonês e do ECB europeu; e a conturbada eleição americana, onde o fator Trump adiciona um componente de incerteza difícil de ser medido.

Ainda que as pesquisas indiquem uma probabilidade maior de vitória de Hillary Clinton, as experiências recentes com o Brexit e o referendo colombiano deixam os especialistas do Verde um pouco menos confiantes no poder preditivo de tais modelos. Uma vitória de Trump, preveem os gestores, deve causar volatilidade nas moedas de países emergentes (incluindo o Brasil) e beneficiar a posição vendida do fundo no Renminbi chinês, pelo aumento de probabilidade de disputas comerciais globais. Já uma vitória de Hillary Clinton deve significar continuidade do status quo, beneficiando ações americanas, e abrindo espaço para o Fed seguir no caminho de alta de juros em dezembro, o que também deve beneficiar o Dólar.

Fonte :Agência Investidor On Line

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